Bruxismo e Medicamentos: Antidepressivos Podem Causar? - Stelle
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Bruxismo e Medicamentos: Antidepressivos Podem Causar o Problema?

Cartela de comprimidos ao lado de um copo d'água, ilustrando a relação entre medicamentos e bruxismo 📖 Parte do Guia Completo sobre Bruxismo

Sim, alguns medicamentos podem causar ou piorar o bruxismo — principalmente antidepressivos da classe ISRS (inibidores seletivos de recaptação de serotonina), como fluoxetina, sertralina e paroxetina. O mecanismo é bem documentado na literatura médica, mas isso não significa que você deva parar o medicamento por conta própria: a conduta certa é conversar com quem prescreveu, nunca interromper sozinho.

Este artigo faz parte do nosso guia completo sobre bruxismo e explica quais medicamentos estão envolvidos, por que isso acontece e o que fazer se você suspeita dessa relação no seu caso.

Quais Medicamentos Podem Causar ou Piorar o Bruxismo

Segundo a Cleveland Clinic, os antidepressivos da classe ISRS estão entre os principais fatores de risco medicamentosos para o bruxismo. Os grupos mais associados ao problema na literatura científica são:

  • ISRS (inibidores seletivos de recaptação de serotonina): fluoxetina, sertralina, paroxetina, citalopram, escitalopram e fluvoxamina — a classe mais estudada e mais frequentemente associada ao bruxismo induzido por medicamento;
  • IRSN (inibidores de recaptação de serotonina e noradrenalina): venlafaxina e duloxetina também aparecem com frequência em estudos sobre o tema;
  • Estimulantes usados no tratamento de TDAH: podem aumentar a atividade muscular da mastigação em alguns pacientes;
  • Antipsicóticos: em casos mais raros, também são associados a movimentos involuntários da mandíbula.

Isso não significa que todo mundo que usa esses medicamentos vai desenvolver bruxismo — é um efeito colateral possível, não garantido, e a intensidade varia muito de pessoa para pessoa.

O Que Mostra a Pesquisa

Um estudo publicado na revista Clinical Neuropharmacology, com 807 pacientes (506 em uso de antidepressivos e 301 no grupo controle), encontrou uma prevalência de bruxismo de 24,3% no grupo em uso de antidepressivos, contra 15,3% no grupo controle. A incidência de bruxismo relacionado diretamente ao início do uso do medicamento foi de 14% — ou seja, quase 1 em cada 7 pacientes que começaram a tomar o antidepressivo desenvolveu o hábito de ranger ou apertar os dentes que não tinha antes.

Esses números ajudam a explicar por que, em consultório, é comum encontrar pacientes que notaram o início do bruxismo logo depois de começar (ou trocar) um antidepressivo — uma coincidência de tempo que, na verdade, não é coincidência.

Por Que Isso Acontece?

O mecanismo mais aceito envolve um desequilíbrio entre dois neurotransmissores: serotonina e dopamina. Os ISRS aumentam a quantidade de serotonina disponível no cérebro — é assim que ajudam no tratamento da depressão e da ansiedade — mas esse aumento pode, em alguns receptores específicos, reduzir a atividade da dopamina em uma região do cérebro (os núcleos da base) que ajuda a controlar os movimentos musculares. O resultado é uma espécie de "desinibição" de padrões motores repetitivos, incluindo a atividade dos músculos da mastigação — o que pode se manifestar como bruxismo.

O Que Fazer Se Você Suspeita Dessa Relação

Se você começou (ou aumentou a dose de) um antidepressivo e notou sinais de bruxismo — dor na mandíbula ao acordar, desgaste nos dentes, dor de cabeça nas têmporas — o passo mais importante é não interromper o medicamento por conta própria. Parar um antidepressivo de forma abrupta pode causar sintomas de descontinuação e comprometer o tratamento psiquiátrico ou psicológico em curso.

  • Converse com quem prescreveu o medicamento: o médico pode avaliar se vale ajustar a dose, trocar por outro fármaco com menor associação ao bruxismo, ou associar outro medicamento para controlar o efeito colateral;
  • Procure um dentista para proteção imediata: enquanto a questão médica é avaliada, uma placa de bruxismo sob medida protege os dentes do desgaste;
  • Não troque de remédio por conta própria: a decisão sobre manter, trocar ou ajustar a medicação psiquiátrica é sempre do médico responsável, nunca do dentista ou do próprio paciente.

O acompanhamento ideal é conjunto: o médico cuida da causa (o tratamento psiquiátrico em si) e o dentista cuida da proteção dos dentes enquanto isso é resolvido.

Bruxismo por Medicamento é Diferente do Bruxismo "Comum"?

Na prática clínica, não — os sinais são os mesmos (desgaste dentário, dor na mandíbula, dor de cabeça) e o tratamento de proteção também: a placa de bruxismo funciona da mesma forma, independentemente da causa. A diferença está na origem: aqui, em vez de estresse, má oclusão ou apneia do sono, o gatilho é o efeito do medicamento sobre a química cerebral. Por isso, é importante informar ao dentista quais medicamentos você usa — essa informação muda a forma como a causa é investigada, mesmo que não mude o tratamento odontológico de proteção em si.

Notou sinais de bruxismo depois de começar um novo medicamento? Agende uma avaliação para proteger seus dentes enquanto a questão é investigada com seu médico.

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Perguntas frequentes sobre bruxismo e medicamentos

Devo parar de tomar meu antidepressivo se ele estiver causando bruxismo?

Não, nunca por conta própria. Interromper um antidepressivo sem orientação médica pode causar sintomas de descontinuação e prejudicar o tratamento em curso. Converse com o médico que prescreveu — ele pode ajustar a dose, trocar o medicamento ou associar outro para controlar o efeito colateral.

Todo mundo que toma ISRS desenvolve bruxismo?

Não. É um efeito colateral possível, não garantido. Estudos mostram prevalência maior em quem usa esses medicamentos (cerca de 24%) comparado a quem não usa (cerca de 15%), mas a maioria dos usuários não desenvolve o problema.

Quanto tempo depois de começar o medicamento o bruxismo pode aparecer?

Varia de pessoa para pessoa. Em muitos casos relatados na literatura, os sinais aparecem nas primeiras semanas após o início ou o aumento da dose do medicamento.

A placa de bruxismo funciona mesmo se a causa for o medicamento?

Sim. A placa protege os dentes do desgaste independentemente da causa do bruxismo — ela trata o efeito (o desgaste), não a causa. Por isso pode ser usada enquanto a questão da medicação é avaliada com o médico.

Quais antidepressivos têm menos relação com bruxismo?

Isso é uma decisão médica que depende do quadro clínico de cada paciente — não é algo que o próprio paciente deve decidir trocar sozinho. Se você tem essa preocupação, converse diretamente com o psiquiatra ou médico responsável pela prescrição.

Quer entender o quadro completo sobre bruxismo? Volte ao guia completo sobre bruxismo para ver todas as causas, sintomas e opções de tratamento.


Dra. Késya Nogueira - Dentista na Taquara, Especialista em Ortodontia

Dra. Késya Nogueira

CRO-RJ 45996 • Dentista na Taquara, Especialista em Ortodontia

Atende no bairro da Taquara, Rio de Janeiro, com foco em saúde bucal, ortodontia e tratamentos preventivos. Une planejamento digital e atendimento próximo para resultados previsíveis em cada sorriso.

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